Conjuntos habitacionais inacabados geram prejuízo de R$ 600 mil ao AC

Publicado em 17 de novembro de 2016 às 18h:28

Por Mário Célio

andiraAinda inacabado, casas sem janelas, portas, telhas e totalmente depredadas são encontradas em um residencial de Rio Branco. Com as obras paradas e financiamentos atrasados, o residencial Andirá acabou tornando-se alvo de vândalos.

As casas, que seriam para famílias de áreas alagadiças e de vulnerabilidade social, estão cheias de entulhos e precisam de reforma para receber os futuros moradores. Engenheiros que visitaram um dos locais e avaliaram os prejuízos em R$ 600 mil.

A secretária Janaína Guedes garantiu que R$ 500 mil já foram adquiridos e espera a conclusão do processo licitatório para reformar as casas depredadas. A nova previsão de entrega está prevista para o primeiro semestre de 2017.

A polícia flagrou, por diversas vezes, pessoas furtando ou roubando materiais do Residencial Andirá. Um desses furtos foi flagrado no último dia 02, quando o suspeito tentou enganar a PM ao dizer que estava defecando no local, quando na verdade estava furtando telhas.

Em setembro, um jovem de 20 anos foi preso por roubar madeira das casas. Já em maio, a polícia prendeu uma pessoa furtando 11 caixas d’água, dentre outros materiais.

Moradora do Residencial Andirá há três anos, a dona de casa Dayane Cristini, de 35 anos, lembra com precisão o dia em que recebeu a casa do governo do Acre. Ela afirma que, dentre as promessas, estava uma área de lazer para as crianças que nunca foi construída.

“Não tem como elas brincarem, ficam na beira da rua. Iam entregar tudo pronto, mas isso não aconteceu. Já levaram vasos sanitários e até pias. Entregaram só três ruas e o resto ficou aí. Tem muita gente que precisa”, disse.

andira_iiAs casas do residencial começaram a ser construídas em 2010 e a obra seria concluída quatro anos depois. Em 2013, o governo do estado entregou 42 residências, restando mais de 300 para conclusão. Devido a problemas com repasses nos financiamentos e com empresas contratadas, a Secretaria de Habitação do Acre (Sehab) informou que as obras foram adiadas.

“Eram três linhas de financiamento: dois do Orçamento Geral da União (OGU) e um de operação de crédito da Caixa. Uma das primeiras empresas teve problemas de cumprimento de contrato e tiveram que ser rescindidos. Cerca de um ano depois, tivemos problemas com os recursos. Faltou do OGU e o ritmo da obra diminuiu. Quando parou, o canteiro continuou lá, mas depois foi retirado e, infelizmente, começaram os furtos”, disse a secretária da Sehab, Janaína Guedes.

Sobre os atrasos nas obras, a Caixa Econômica informou, por meio da assessoria de comunicação, que o processo de reforma das casas nos dois residenciais está em andamento. Na Cidade do Povo, a Caixa afirmou que as obras foram retomadas

A secretária afirma que parte da falta de recursos é devido à crise financeira que o país atravessa. Ela diz que entrou em negociação com a Caixa Econômica para entregar o projeto por partes, já que o contrato inicial garantia que o residencial seria entregue apenas quando fosse concluído.

“As dificuldades foram várias ao longo do tempo de execução. Hoje estamos enfrentando o problemas de depredação e falta de recursos estadual e federal. Não houve irresponsabilidade por parte do governo ou da Sehab. Precisamos de uma melhoria do quadro nacional para conseguir recursos e retomar a obra”, destacou.

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