Jovem com epilepsia espera por TFD amarrado em enfermaria há mais de 30 dias

Publicado em 21 de abril de 2017 às 16h:15

Por Mário Célio

O jovem Isael Janderson, de apenas 17 anos, está amarrado há mais de 30 dias em uma enfermaria no Hospital do Juruá, em Cruzeiro do Sul, aguardando pela liberação de Tratamento Fora de Domicílio (TFD). Ele sofre de epilepsia refratária e tem cerca de 40 convulsões por dia. Segundo José Jandecy, pai de Isael, o pedido de TFD foi negado pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre).

Sem um médico especializado, Isael passa a maior parte do tempo dopado, a família teme que ele não resista às convulsões intensas. “Meu filho está sofrendo além do suportável e ninguém do governo toma providências”, disse Jandecy.

Jandecy afirma que, como não existe em Cruzeiro do Sul um neurologista – especialista para o caso – o tratamento do seu filho não avança. A epilepsia refratária é de difícil controle, segundo estudo, embora as crises sejam originais de um lado do cérebro, neste caso, comprometem a memória verbal e não verbal das pessoas.

“Eles querem que um médico lá em Rio Branco, sem realizar nenhum tipo de exame, faça o diagnóstico e receite remédios para meu filho, ocorre que ele ultimamente não reage mais a nenhum medicação, tem uma convulsão atrás da outra, piora a cada dia”, acrescentou o pai.

Histórico

Isael passou a apresentar os sintomas de epilepsia há dois anos, foi encontrado desmaiado quando estava à caminho da escola. Desde então, a família começou a busca pelo tratamento. “Foram 12 viagens que já fizemos para Rio Branco, duas delas de avião fretado”, declarou Jandecy.

Nos últimos 30 dias o pai gasta com três pessoas que fazem revezamento para ficar ao lado de Isael na enfermaria do Hospital. O filho, quando tem convulsão, corre o risco de sair correndo e quebrando tudo que ver pela frente. “Por isso ele foi amarrado, mas é uma situação insuportável, deve existir outro tratamento que evite isso!”, exclama o pai.

Diante do quadro clínico que se encontra o filho atualmente, nenhuma empresa de aviação particular se habilitou para levar Isael até Rio Branco. “Pensei em ir pela estrada, mas não há condições, dependemos da boa vontade do secretário de Saúde do estado”, apelou Jandecy.

Sem apoio das autoridades da Saúde em Cruzeiro do Sul, o pai de Isael procurou na tarde de desta quinta-feira (20) o Ministério Público Estadual (MPAC) para pedir ajuda antes que seja tarde demais. “O assessor do promotor me garantiu que o caso será apurado com urgência”, concluiu Jandecy.

O OUTRO LADO

A reportagem tentou entrar em contato com a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Saúde, mas já estava fora do horário de expediente. Na manhã desta sexta-feira (21), feriado nacional, ninguém atendeu às ligações feitas pela redação.

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