Blocos de igrejas sairão no Carnaval com desculpas de evangelizar

 

A ideia de blocos evangélicos no Carnaval do Brasil não é nova. Mas dia 12 de fevereiro, pela primeira vez a orla de Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro, receberá o evento “Evangelismo de Carnaval”, promovido pela igreja Bola de Neve.

Além do desfile, com direito a bateria, também haverá um show com cantores gospel na quadra da Acadêmicos da Rocinha no final da tarde. Seguindo a dinâmica do mercado, para participar é necessário comprar a camiseta do evento, que custa R$ 55.

“A época de Carnaval, segundo o mundo, é marcada por um espírito de sensualismo e vulgaridade. Tenha sabedoria na hora de escolher o que vestir. Vá com roupas leves: a camisa do Evangelismo, um shorts e chinelo”, alertam os organizadores no site do evento.

“As pessoas que estão na praia nós convidamos para participar. Na grande maioria das igrejas as pessoas vão para retiros e nós não, nós vamos para a rua. Isso é o impacto”. A expectativa é reunir mais de duas mil pessoas, oferecendo dois trios elétricos e uma bateria com 80 ritmistas – 90% deles formados em oficinas do bloco.

O Sou Cheio de Amor entoará músicas com letras gospel, mas nos ritmos de axé e pagode. O tema de 2018 é “Sou felicidade”. Além de promover a “folia em nome de Jesus”, os membros do bloco afirmam que irão evangelizar, com a distribuição de folhetos e conversas com os interessados. Estão previstas rápidas pregações dos pastores ligados ao ministério. Outra estratégia é a distribuição de copos de água, onde são colocados adesivos com a frase ‘eu sou a fonte da vida’.  O “abadeus”, como é chamado o abadá pelos fiéis, custa R$ 20.

“Ano passado, 220 pessoas aceitaram Jesus”, conta Guimarães. Ele explica ainda que para participar do bloco a pessoa não precisa ser da igreja, mas deve respeitar algumas regras, como: nada de cerveja ou qualquer bebida alcoólica e nem roupas ou fantasias que mostrem demais.

O coordenador do bloco assegura: “As pessoas entram e nos veem pulando, sambando com uma motivação que vem do Senhor. Não precisa beber e ter outros artifícios. Conseguimos transmitir essa motivação. Não há passagem na Bíblia que fala que não pode beber. Não podem é se embriagar. Dizem ‘adoro uma cervejinha’, por que não bebem a sem álcool? As pessoas gostam é da euforia que o álcool traz, mas a nossa vem do alto”.