Gladson Cameli traça as principais metas de seu governo

O governador eleito Gladson Cameli concedeu, no feriado de sexta-feira, entrevistas aos apresentadores de programas de TV na TV 5 e na TV Rio Branco. Agradeceu ao povo acreano a eleição, disse que já desceu do palanque e que será o governador de todos os acreanos e evitou críticas mais contundentes ao atual governo, embora afirmasse que fará uma reforma administrativa para reduzir o tamanho da máquina pública. A seguir, os principais trechos das entrevistas concedidas ao jornalista Washington Aquino, da TV 5 e Tião Silva da Tv Tio Branco.

Sobre ter descido do palanque

“Quero dizer que a eleição acabou. Desci do palanque. Sou governador eleito de todos. De quem votou e de quem não votou. A minha missão agora é fazer a transição governamental, escolher as pessoas certas que vão ocupar os lugares estratégicos do governo, responder à altura a expectativa pelo nosso mandato e colocar em prática tudo aquilo que dissemos no programa eleitoral”.

Acabar com a burocracia

“O que eu vou fazer é acabar com a burocracia. Fazer com que se tenha as mínimas condições de uma saúde para atender o nosso cidadão que está nas filas esperando. A nossa segurança, o pai de família de que quando o filho sai à noite está preocupado se ele vai voltar ou não vivo. Colocar nossa segurança para funcionar por isso eu vou ser o governador de todos. Eu quero dialogar com todos os poderes”

Sobre o choque de gestão, reforma administrativa e redução da máquina pública

“Então, quando eu digo choque de gestão, eu não sei tudo. Se eu soubesse tudo, eu não precisaria de secretários. E os nossos secretários vão ter autonomia para cumprir o seu papel que eu vou cobrar. Eu irei cobrar”.

Eu vou unificar secretarias. Eu não posso aceitar, e isso não é uma crítica, eu estou falando que eu, como governador sentado na cadeira, farei. A responsabilidade é minha. Eu não posso aceitar que o Acre tenha ,entre secretarias e instituições 65 a 67, enquanto São Paulo tem 23. Eu não permitir isso. É por isso que a situação se encontra na forma como está. Mas cada governo fez seu papel de bom ou de ruim. Deu sua contribuição. Eu vou unificar. Eu vou diminuir essa estrutura governamental. Para que esse monte de prédios alugados? Pra que esse inchaço da máquina? Por que nós estamos com problemas seríssimos. Enfim, temos que dar uma reestruturada, mas com muita cautela, com muita responsabilidade. Sem prejudicar quem trabalha”.

Sobre o secretariado

“Eu estou tendo muita cautela. Ontem, eu chamei todos os partidos para que cada um indicasse um nome para acompanhar a transição governamental e que já fossem pensando em nome de pessoas técnicas, pessoas que tenham a capacidade de assumir qualquer pasta de governo. Mas só que eu vou cobrar. Eu não vou colocar pessoas que não tenham capacidade de assumir, por exemplo, uma segurança, uma saúde, uma educação. Eu não vou fatiar o estado. É minha responsabilidade. Cabe a mim agora colocar em prática tudo o que eu disse. Acabou a eleição. O que eu pedi o povo já me deu a oportunidade. Agora é colocar na prática mesmo. Fazer a nova política com determinação, com decência. Com diálogo com a sociedade, com o povo e com os poderes”.

Sobre a eleição do novo presidente da Assembleia Legislativa

“Eu sou muito democrático. E democrata não só na palavra, eu pratico a democracia. Todos os partidos, todos os parlamentares têm sonhado de ser o presidente da sua instituição. Eu só pedi: se resolvam. Não me tragam mais um problema. Agora, na hora que eu tiver que intervir, eu vou intervir. Isso aí é um fato. Eu espero que não seja obrigado a chegar a esse ponto. Todo mundo é de maior. Todo mundo sabe o que quer. Só há um presidente. Só há uma vaga para presidente. Então escolham um que possa atender ao governo. Vou respeitar  a oposição”.

Obras que pretende pôr em prática:

“Por exemplo, os nossos ramais no primeiro verão. Melhorar nossa malha rodoviária estadual. Terminar os hospitais que ainda não terminaram. Colocar funcionando. Eu preciso saber a realidade da situação do estado. É por isso que vou me encontrar com o governador atual porque para ter esse raio X completo do que está faltando e porque que ainda não foi terminado. Concluir as obras inacabadas. Movimentar nossa economia estadual. Colocar o estado competitivo. Acabar com esse problema na Tucandeira, aqui na divisa com Rondônia. Eu preciso aquecer a nossa economia. Eu preciso chamar os concursados da polícia, das PMs.

“O Tribunal de Contas ficou de me entregar um relatório completo da situação do estado, tanto que eu ainda vou fazer uma visita oficial ao Tribunal de Contas como governador eleito. Mas eu já pedi que a minha equipe procurasse para conhecer a real situação do estado. A realidade, porque nós temos um problema ai mensal da previdência. Temos déficit da Previdência que o estado paga todo mês. Parece que estar em torno de 30 milhões que o estado desembolsa para cobrir a Previdência. Eu vou ter que não acabar, mas unificar e colocar para funcionar. Eu vou acabar mesmo é com a burocracia. Vou acabar com a burocracia e o funcionário que quiser trabalhar, vai trabalhar. Ele vai ter condições. Aquele que não quiser, aí paciência”.

Sobre a não participação da família Cameli no governo

Eu quero deixar isso muito bem claro. Eu até falei com muita cautela. Vou explicar. A família Cameli, ela é muito grande. Meus parentes são donos de supermercado, que são primos de 2º e 3º graus. As empresas ligadas a mim, que são as Contrutoras ETAM, Marmud Cameli e Amazônidas. Elas não irão participar de licitação nenhuma. Resumindo: o meu pai, pai do governador eleito Gladson Cameli, o qual, quando a lei permitia, financiava as minhas campanhas, as empresas que me ajudavam e das quais eu sou sócio, não participarão de nenhuma obra do estado. Agora eu não posso impedir outros membros que participem de licitações. Agora eu, eu deixo isso bem claro até porque têm muitos que não tem interesse. Muitos não têm interesse. E eu até já faço um apelo aqui publicamente. É pregão eletrônico. É licitação. É aberto pra todos. Mas as empresas ligadas a minha pessoa, eu garanto como 1 + 1 é 2. Não irão participar”.

Sobre o fim da perseguição política:

“Não vai haver perseguição. E digo mais pra vocês que se eu ver um secretário meu obrigando funcionário público em época de eleição a balançar bandeira, eu demito ele, porque isso ai não está na lei. Isso não é democracia. Isso é perseguir. É obrigar. Eu não quero isso. A palavra perseguição acabou. Eu quero que você, como jornalista, possa fazer uma crítica ao governo. Uma crítica construtiva. Eu não vou saber tudo o que acontece em tempo real. Se eu ouvir uma crítica de você, eu vou resolver o mais rápido possível. É pra isso que a gente precisa mudar. Esse sim que é o novo jeito de fazer política”.

Sobre o segundo turno da eleição presidencial

Bolsonaro desde criança. E vai ser nosso presidente da República. Agora ele é o meu presidente. Eu o apoio e estou lhe falando isso e ainda não liguei pra ele. Já determinei que todo o meu pessoal o apoie. Eu estou falando que os nossos pensamentos o da esquerda, da direita e do centro são diferentes. O que eu sou  é republicano. Eu respeito as opiniões. O que a esquerda fez de bom, a direita fez de bom e o que o centro faz de bom, eu estou pra captar tudo isso e colocar na prática”.

Sobre o pagamento do funcionalismo

“O funcionário público que trabalha, está lá prestando o seu serviço, não vai ter atraso. Nenhum funcionário público vai ter atraso de salário. Eu lhe garanto isso. Não vai ter atraso de salário. O funcionário público é funcionário do estado. Ele vai ter que ser respeitado”.

Mensagem para o povo do Acre

“Confie. Eu sei o tamanho da responsabilidade que está nos meus ombros. Vou fazer e dar o máximo da minha pessoa. Eu sei que não vou resolver tudo, mas tenha a certeza o cidadão acreano que o que depender do Gladson Cameli, irei fazer tudo o que puder. Com diálogo, com humildade. Se necessário, dar um, dois, três passos para trás para dar um pra frente. E confie. Vou abrir o estado para o desenvolvimento, para o agronegócio, para a pecuária, para o pequeno, médio e grande agricultor. Nosso governo vai começar da zona rural para a zona urbana. Valorizando quem quer trabalhar.  Quem quer trabalhar vai ter oportunidade. O pessoal do Pró-saúde que sempre me liga, tudo o que eu conversei com vocês, não se preocupem. O que tiver respaldo jurídico, nós iremos fazer. Vou me reunir com eles antes de tomar posse ainda. Não se preocupem. Não vou demitir ninguém. Mas eu tenho que obedecer ao que está na lei. Eles me disseram que tem respaldo jurídico para isso. Nós vamos resolver a situação”.