Gladson vai ao Mercado e anuncia corte radical no número de secretarias

O governador eleito Gladson Cameli passou ontem por um teste definitivo de popularidade e capacidade de diálogo, sendo aprovado com louvor, pelos que participaram da conversa. Gladson visitou a lanchonete Rio Branco 3, no mercado Elias Mansour, conhecida por ser a Tribuna Livre e democrática das conversas políticas e o centro das fofocas da turma tradicional de frequentadores daquele Mercado Público da capital, com forte repercussão nas rodas sociais da capital.  Este foi este o local em que o governador eleito teve um papo descontraído, acompanhado de tapiocas com feirantes, consumidores e com a turma de frequentadores assíduos e revelou algumas das medidas que irá tomar logo no início do governo. Além disso,  desfez alguns comentários que já circulavam a respeito de seu futuro secretariado e de outras decisões de nomeação no governo que começa em janeiro.

Alto-falante da cidade, o mercado Elias Mansour reúne uma turma fiel, diversificada, de pessoas, de todas as orientações políticas e que se encontram regularmente para comentar sobre os assuntos da cidade. É parada obrigatória para todos os políticos, autoridades e candidatos no estado. Simpático, bem-falante, dando atenção a todos, o governador eleito convenceu pela simplicidade e pela força com que defendeu seus argumentos. A seguir, algumas das principais afirmações informais de Gladson Cameli no mercado, mas que devem se transformar em posições oficiais de sua futura administração

O tamanho máquina pública

Gladson revelou que os 61 órgãos e secretarias  hoje existentes no estado, devem ser limitados a dez, dos quais deve indicar, em sua quota pessoal, cinco, ficando as outras nomeações para um diálogo com a classe política aliada.

Reiterou quem não fez nenhum convite para que alguém integrasse o seu secretariado, que, entretanto, será anunciado de forma completa, antes do Natal

Afirmou que vários órgãos e secretarias a serem extintas ficarão com suas atividades ligadas diretamente a seu gabinete, como deve ser o caso da área de Comunicação Social, a qual ele praticamente confirmou que não permanece como secretaria. O governador afirmou que vai extinguir 60% dos cargos comissionados.

Atenção especial nos primeiros dias

Gladson afirmou que deve dar atenção especial a alguns setores, logo no início da sua administração, citando especificamente à Saúde, em que pretende fazer uma ação firme, principalmente para garantir o funcionamento dos novos hospitais, o aumento de leitos e melhor atendimento à população.

Também pretende um investimento emergencial na segurança pública, que deve ter suas prioridades definidas a partir da presença já no dia 5 de novembro, do Ministro Raul jungmann em Rio Branco, para acertar as primeiras ações.

Relação com os municípios

Gladson disse que pretende fazer, ainda este ano, uma visita a todos os municípios para agradecer à população a votação recebida e para um encontro com os prefeitos, a fim de acertar parcerias. Disse que quer fazer parcerias com todos os administradores municipais.

Com relação à situação de inadimplência de vários municípios acreanos, disse que isso poderá ser resolvido através de uma reforma administrativa já encaminhada pelo governo federal e que pode ter sua implementação acertada parte agora e parte no próximo governo.

Sobre Rio Branco

Gladson disse que pretende conversar logo com a prefeita Socorro Neri. Disse lamentar não estar presente quando a prefeita Socorro Neri foi a seu gabinete em Brasília por causa de audiência com Ministro. Mas disse que logo vai procurar a oficialmente a prefeita e se colocar à disposição para um trabalho conjunto.

Disse que tem interesse especial em ajudar a prefeita nas gestões unto ao Banco do Brasil, para a liberação dos R$ 14,5 milhões para a finalização do Shopping Popular.

Base na Assembleia

O governador disse que estima que terá uma base política na Assembleia que pode variar de 15 a 18 deputados estaduais. Sobre as eleições para presidência do Poder Legislativo, disse que gostaria que a presidência se encaminhasse para um dos três Deputados de seu partido, o PP, a saber,  José Bestene, Nicolau Junior ou Gehlen Diniz. Embora sem mostrar preferência, disse que teve uma conversa sexta-feira com o deputado eleito José Bestene, em quem ele reconhece experiência e que disse ser um parlamentar bem relacionado no poder legislativo e com os servidores da Assembleia. Entretanto, pensa que essa decisão caiba aos próprios deputados e que não deve interferir no processo.

Vinda de ministros

Gladson confirmou ainda, que até o próximo dia 20 de novembro virão ao Acre os ministros da Segurança Pública, Raul Jungmann, Ricardo Barros, da Saúde, Alexandre Baldy, das Cidades e Blairo Maggi, da Agricultura e Pecuária. Durante as visitas, o novo Governador quer deixar engatilhados possíveis convênios e liberações de verbas já para o próximo ano, independente da reforma administrativa a ser feita em Brasília.

Sobre a produção e o futuro do Acre

O governador eleito disse que é possível o Acre ter uma atividade produtiva intensa, forte, respeitando ao mesmo tempo o meio ambiente, a legislação, otimizando a área já desmatada e sem necessidade de novos avanços contra a natureza. Enfatizou que isto consta em seu programa de governo e que será aplicado.

Sobre como receberá o estado

Gladson Cameli destacou as conversas que está mantendo com o atual governador sobre a transição governamental, disse acreditar que ela se encaminhem dentro da normalidade e,  a respeito da verba de R$ 1,3 bilhão que o governador Tião Viana disse que deixará a seu sucessor, explicou que se trata de operação de crédito, que exigirá contrapartidas e comprometimento do Estado. Revelou que, segundo a visão do atual Governador, os próximos dois anos devem ser muito difíceis em termos orçamentários para o estado, mas que está prevista uma folga nos dois últimos anos, sendo certo que no último ano de administração ele poderá ter bastante liberdade de investimentos.

Negou que vá contratar uma firma de auditoria e que esse trabalho será realizado pelos canais oficiais, do Estado e do tribunal de Contas.